William RiboDias

Direção de Fotografia

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Angola, surpreendente e mágica

Quem chega a Luanda pela primeira vez não pode definir o que é Angola.

Ainda me recordo do primeiro poema que ouvi quando aqui cheguei, de um poeta com vários heterónimos mas um em especial me encanta mais, Alberto Caeiro.

Começa dizendo que nunca guardou rebanhos mas era como se os guardasse, “O Guardador de Rebanhos”. Fiquei encantado com a analogia, afinal o que fazem os Fotógrafos, Cinegrafistas, Directores de Fotografia se não guardar rebanhos, capturando através de suas lentes e arrebanhando imagens do povo de algum lugar? Isso guiou meu olhar atento a detalhes que potencializaram meu olhar com olhos de ver e que faz parte do meu viver profissional.

O MEU OLHAR (Alberto Caeiro)

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas olhando para a direita e para a esquerda.
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento,
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E sei dar por isso muito bem…
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…
Creio no mundo como um malmequer, porque o vejo.
Mas não penso nele Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama,
nem o que é amar…Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

NOSSA MISSÃO

Acredito muito no potencial desta terra e do seu povo ávidos por se reconhecerem em tudo o que vêem nas mais diversas mídias, poderem olhar para o ecrã e sentirem-se representados, retratados na sua essência, sem rótulos, caracterização que os torne apenas caricatos.

É urgente que sejam protagonistas da sua própria história, sem os filtros estrangeiros de adaptação a outras culturas e, por conta disso, não terem os devidos contrastes que incomodam e tiram do lugar comum obrigando a pensar promovendo a redenção cultural africana, devolvendo-a ao seu lugar de merecimento.

MOTIVAÇÃO

Das experiências que tive nasceu a CINE SEM FRONTEIRAS, uma produtora de conteúdos fundada por Maria Inês e eu, que é apenas parte de um projeto maior, audacioso mesmo. Um projeto que visa à formação de profissionais para um mercado audiovisual carente pois não há formação técnica e prática.

Sei que o valor que tem o aprendizado prático para se tornar um ótimo técnico.

INTENÇÃO

A partir da formação do nosso quadro de colaboradores angolanos, que atuarão na produção dos nossos produtos audiovisuais, nomeadamente séries, documentários, longas e curtas-metragens, publicidade e outros, haverá a continuidade do aprendizado em campo. Os colaboradores atuarão em filmes sob a orientação de profissionais experientes que mostrarão o modus operandi e técnicas usadas por equipes de cinema. Entenderão como se comportar num set de filmagem, como é importante o trabalho em equipe para se atingir um objetivo maior, que é o filme bem acabado, com narrativa envolvente e emocionante e entregue, pois ao fim do processo estará impresso na tela para que todos possam ver.

MEIOS

Para atingir os nossos objetivos, montámos uma equipa de apoio de alto gabarito, profissionais brasileiros que nos ajudarão a construir e conduzir essa forma de contar histórias de um povo, em qualquer lugar.

Afinal, não há fronteiras para uma missão como essa.